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Martorell, 25/05/2016. – Um senhor abre a porta da bagageira de um carro. Depois fecha. Ele escuta o som que faz. Ele abre e fecha novamente, e repete a operação mais duas vezes. Quando fica satisfeito, ele toma uma nota no seu tablet digital. Entretanto está uma senhora sentada no lugar do condutor. Ela alterna os faróis para a posição de médios e sai do carro. Ela dirige-se para a parte da frente do carro e inspeciona a luz. Também ela toma notas no seu tablet. Depois volta para o carro e acende os máximos. Volta a sair do carro e reinspecciona os faróis antes de tomar mais uns apontamentos.

Estes são apenas alguns testes em carros levadas a cabo pelos participantes numa Clínica de Produto. Eles são potenciais clientes e fazem uma avaliação do interior e do exterior de um modelo que está na sua fase de desenvolvimento 2 anos antes do seu lançamento. O objetivo desta clínica é de “identificar os aspetos que podem ser melhorados numa fase em que ainda há tempo para introduzir algumas modificações”, explica Enrique Pastor, que é responsável pela Estratégia de Produto e de estudo de mercado na SEAT.



Nos testes de carros da clínica participam entre 300 a 500 pessoas, que estão divididas em pequenos grupos. Algumas delas prestam especial atenção às texturas: “é macio”, diz uma senhora que passa as suas mãos no volante. Ao lado dela está sentado um senhor que cheira os estofos em pele para avaliar o seu aroma. Outro participante está no banco de trás a avaliar o espaço para as pernas enquanto outra está a sentir a consistência das almofadas do banco. Existe ainda uma quinta pessoa na traseira do carro a ver a capacidade da bagageira: “é espaçosa”, diz para si mesmo. Todos os participantes andam ao redor do carro e conferem de forma contínua as partes do estudo no seu tablet, examinando o carro como verdadeiros peritos.

Três clínicas são efetuadas durante os três anos antes do novo modelo ser lançado. A primeira clínica testa a viabilidade do conceito; a segunda foca-se no produto e a última lida basicamente com a sua posição comercial.

Cada clínica dos testes de produto é altamente benéfica, uma vez que por diversas vezes são efetuadas modificações no modelo como resultado das observações efetuadas pelos potenciais clientes. Por exemplo, Enrique Pastor explica: “num modelo que iriamos lançar, cedo percebemos que a posição de condução estava demasiado baixa e foram tomadas as medidas necessárias para a subir”. Ele continuou dizendo que “se os resultados finais forem muito insatisfatórios o lançamento de um modelo pode mesmo vir a ser posto em causa”. No entanto ele rapidamente comenta que “isso nunca aconteceu” na SEAT.